Feira de Santana — A literatura produzida no Portal do Sertão ganha novos e vigorosos capítulos. Em uma entrevista exclusiva, conversamos com o poeta, cordelista e escritor Adauto Borges. Nome de destaque na cena cultural baiana e membro honorário da Academia Metropolitana de Letras e Artes de Feira de Santana, Borges vive uma fase de intensa efervescência criativa.
O autor acaba de lançar uma trilogia de peso pela Editora Mandacaru: Contos Indígenas, Pleorama e Contos Coloniais. As obras se somam a uma recente e prolífica safra de folhetos de cordel, consolidando sua voz como um dos guardiões e renovadores da palavra escrita e cantada na região.
Uma Trilogia de Resgate e Identidade
Os três novos títulos publicados pela Editora Mandacaru mostram a versatilidade de Adauto Borges em transitar por diferentes temporalidades e temáticas, sem perder o cordão umbilical com a ancestralidade e a crítica social.
- Contos Indígenas: Uma imersão sensível nas cosmologias, dores e resistências dos povos originários. O autor utiliza a prosa para dar eco a vozes historicamente silenciadas.
- Contos Coloniais: Um olhar afiado sobre o Brasil do passado, costurando ficção e realidade para entender as raízes das desigualdades que ainda ecoam no presente.
- Pleorama: Uma obra que desafia os limites da linguagem poética e narrativa, revelando a maturidade técnica e a sensibilidade do autor diante do cotidiano e da existência humana.
“Publicar pela Mandacaru tem sido uma experiência de sinergia. Esses livros são pedaços de chão, de história e de sonho que agora ganham o mundo”, pontuou o escritor durante a entrevista.
O Cordel Vivo e a Imortalidade Acadêmica
Além da prosa densa dos novos livros, Adauto Borges não esconde que seu coração bate no ritmo do sextilhado e da septilha. Recentemente, ele despejou no mercado literário diversos novos títulos em cordel, mantendo acesa a chama da literatura de folheto. Para ele, o cordel não é um artefato do passado, mas uma ferramenta viva de comunicação e crônica social.
Essa dedicação integral à cultura rendeu-lhe o merecido reconhecimento como membro honorário da Academia Metropolitana de Letras e Artes de Feira de Santana. A honraria chancela uma trajetória dedicada à valorização da identidade feirense e nordestina.